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Marketing no Brasil 2020 PDF Imprimir E-mail
Houve uma mudança estrutural nas eleições de 2010. Saímos de um modelo vertical de campanha eleitoral e demos os primeiros passos para um modelo horizontal.

Por Paulo Cezar da Rosa* 

A política, até o século XVIII, era feita toda na base do corpo a corpo. As relações eram horizontais, homem a homem. Chegamos ao capitalismo com isso. 

Com o surgimento da imprensa, grandes mudanças puderam ser feitas. A Revolução Russa, por exemplo, possivelmente não teria ocorrido sem o Iskra, o órgão central do Partido Bolchevique. Logo depois veio o rádio e, através dele, se disseminou o Nazismo e o Fascismo. Já a televisão é a ferramenta principal da democracia americana, a democracia de mercado. 

A grande mudança da internet é que ela esvazia a centralidade dos meios tradicionais de formação da opinião na sociedade capitalista. Há trinta anos, eu saia de casa, pegava dois ônibus, pra ir até uma banca no centro de Porto Alegre e comprar um jornal. Hoje, o moleque da periferia tem toda a informação que quiser na internet. Há muito pouco tempo, o que a Folha de São Paulo dizia era a verdade. Hoje, a Folha, assim como a Veja ou o New York Times, tem a sua opinião e muito pouca gente dá importância pra ela. Isso teve uma repercussão importante nas eleições de 2010. Foram as eleições mais livres que o Brasil já teve. 


O papel da internet  
Isso não quer dizer que a internet foi decisiva para fazer votos, como muitos acreditavam. Mas a partir de agora, nenhum candidato pode ignorar mais a internet, mesmo que a sua importância direta ainda seja pequena. A grande mudança que a internet propiciou, junto de todas as outras formas de comunicação digital, é que ela está libertando o eleitor para pensar com a própria cabeça e formar seu voto conversando com o colega de trabalho, com o companheiro de orações, com a família no almoço de domingo. 

O que a internet revela é que a eleição está saindo da TV e migrando para o corpo a corpo. Candidato daqui para a frente que quiser ser eleito precisará ter equipes de visitadores e multiplicadores, de escritórios políticos profissionais em cada município, em cada bairro. Não se trata mais de “comprar” apoios de lideranças, de assalariar os formadores de opinião no período da campanha. Não. Se trata de fazer chegar a mensagem até o eleitor, da forma mais profissional e transparente possível. 

O caminho do assalariamento da liderança (que vai esconder que está sendo pago para fazer aquele trabalho) está errado. Já funcionou mal em 2010. Vai funcionar cada vez menos. Hoje é preciso que as pessoas que vão pedir o voto sejam transparentes, digam, se for preciso, que estão ali fazendo este trabalho. 

O papel da classe C 
Em 2006, os candidatos do PT e o partido passavam por um momento de crise. Principalmente no Rio Grande do Sul, amplos setores de classe média mostravam-se descontentes com o PT. Na época, já havia a emergência da classe C. Os candidatos que buscaram compensar perdas apostando neste novo eleitor cresceram. Foi uma aposta de alto risco. Mas deu certo. 

O Brasil está passando por uma mudança de grande profundidade. 2010 foi a última eleição da geração de políticos formada no combate à ditadura. As classes, os centros de poder, os mecanismos de formação da opinião, as gerações, tudo está se movendo. 

Hoje, está surgindo um novo cenário, um novo solo histórico. Está acabando o tempo da publicidade na política. O novo Brasil precisa de conteúdo, de argumento político consistente. Você precisa dizer as coisas de um modo simples, mas não pode ser de um modo simplificado. A publicidade tende sempre à simplificação da política. A querer tratar o público alvo como menos informado, menos experiente, menos inteligente. A publicidade na política vai resultar sempre mais em derrotas. A política, cada vez mais, precisa do marketing. 

 
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